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GRIJÓ - CASA BRASONADA
Sita na aldeia de Grijó, do Gafanhão, concelho de Castro Daire, pertenceu a um nobre «par do Reino», mas foi vendida ao senhor Joaquim de Almeida, vinte e poucos anos após a Revolução Liberal de 1820.

De facto as reformas trazidas pela Revolução Liberal, relacionadas com a extinção dos morgadios, não fizeram mossa apenas no clero. A casa brasonada de Grijó, bem como todos os seus bens rústicos, constituíam um morgado que vinha de longe, já que, em 1631, Manuel Ribeiro Coelho e a sua irmã, Maria Coelho, instituíram uma capela de setenta missas anuais «sob os bens do vínculo ou morgado da Nossa Senhora de Grijó».

 

                          

                                       CASA BRASONADA DE GRIJÓ

 

Passaram-se duzentos anos e, em 1835, os donos do morgado, residentes em Penafiel, com casa em Abragão, resolveram desfazer-se do património, vendendo-o, em 1843, ao senhor Joaquim de Almeida, da Casa do Chão do Forno, no Gafanhão.

 

O património desta casa constava a Casa Nobre, com capela anexa, da casa dos caseiros contíguas e outras casas em Reriz, Casal e Caniçais. Juntavam-se a isso todos os campos das terras de pão, e vinho, olivais, soutos de castanheiros e montes, prados livres e alodiais, foros, moinhos e até um barco que fazia a travessia do Paiva no sítio de Cabaços. Os bens dispersavam-se pelas freguesias do Gafanhão, S. Martinho das Moitas, Reriz, Pinheiro, e também pela freguesia de S. Francisco d'Orgens, concelho de Viseu.

Dos bens móveis constavam as alfaias de uso na capela, utensílios dos celeiros e lagares (tinham lagares junto à Casa Nobre e nas casas de Reriz), madeiras serradas, vacas, dívidas existentes confirmadas por escrituras públicas, ou simples escritos, cujo rol se encontrava na posse de alguns caseiros.

O comprador desembolsou por tudo isso oitos contos de reis (8.000$000), metal sonante, sendo seis contos (6.000$000) pelos bens de raiz e dois contos de reis (2.000$000) pelos restantes móveis, semoventes e direito e acção à cobrança das dívidas.

 

A escritura de venda informa-nos que as razões da transacção se devem ao facto das casas precisarem de grandes consertos e os proprietários terem dificuldade em realizá-los por morarem longe.

Seria? Certo, certo é que as medidas legislativas decorrentes da Revolução Liberal de 1820, relativas à extinção dos Morgadios devem ter pesado, seguramente, na opção dos proprietários pertencentes à velha nobreza rural, senhor  Rodrigo Monteiro Correia de Vasconcelos Guedes Mourão, fidalgo cavaleiro da Casa Real, com mercê de vida no Senhorio de Porto Carreiro e na Alcaidaria-Mor de Celorico de Basto, bem como da sua distinta esposa Dona Isabel Cardoso Coelho Nobre, ambos residentes em Penafiel, com casa em Abragão.

 

cf. Abílio Pereira de Carvalho «Casa de Grijó» in «Voz do Montemuro», nº 1, de 19/Julho/1985                           

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