Estou certo tratar-se de uma expressão infeliz dita pelo seu autor, pois tratando-se de um jornalista maduro, profissional de reconhecido mérito, atento ao nosso mundo, seguramente não iria misturar uns tantos jovens «calaceiros», desinteressados dos estudos e de participação na vida cívica, com tantos outros que davam provas em contrário, juventude que mais não era (é) do que todos nós fomos quando passámos por essa idade. Pela minha parte nunca levei a sério tal expressão, até porque, ao tempo, exercendo a docência, rodeado como estava de alunos, conhecia o esforço de muitos deles a par, certamente, do desinteresse manifesto doutros. E, em nome da verdade, diga-se, desinteresse de alunos e de professores, profissionais hoje tão falados a nível nacional. Primeiro por causa das aulas de substituição e agora por causa da «avaliação de desempenho». E como me lembro do primeiro acto «pedagógico» desempenhado por tantos deles mal recebiam o horário lectivo: verificar quantos feriados havia no ano e quantos artigos 4ªs podiam meter para fazerem as respectivas pontes. E como me lembro de ter sido «advogado do diabo» durante alguns Conselhos de Turma, defendendo alunos que, por não ficarem «caladinhos» sentados nas suas carteiras, eram acusados de irrequietos, insuportáveis, mal-educados, difíceis de aturar. Que não, dizia eu. Eles eram alunos exigentes, faziam perguntas, mostravam ânsias de querer aprender e o professor tinha era que estar preparado e atento para responder às suas solicitações e apetências de modo a mantê-los interessados e motivados. Uma das Turmas em que isso acontecia era o 6ª J do ano lectivo de 1989/90. E a essa turma pertenciam os dois alunos dos quais tenho hoje a honra e o privilégio de apresentar os seus «curricula» académicos: 1 ? Dr. LUIS FILIPE M.D.MONTEIRO PONTES: «Licenciado em Língua e Cultura Portuguesa (Português Língua Estrangeira) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Mestre em História Medieval pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma dissertação sobre a mentalidade cavaleiresca da nobreza portuguesa na Baixa Idade Média e, de caminho, p.f. o doutoramento em Civilização Medieval pela Universidade de Poitiers, com um estudo sobre D. Afonso III e a monarquia capetiana. Leitor de Português contratado pela Universidade de Poitiers, entre Setembro de 2000 e Agosto de 2004, e, ao mesmo tempo, Professor Assistente de Língua e Cultura Portuguesa do Instituto Camões - Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em Junho de 2002, foi responsável pela assinatura do protocolo entre o Instituto Camões e a Universidade de Poitiers para se criar um Centro de Língua Portuguesa; mas, devido a dificuldades orçamentais, altura em que o Instituto Camões perdeu autonomia financeira, a instalação só se verificou no fim da missão poitevina. Seguiu-se uma nova missão como Leitor de Língua e Cultura Portuguesa do Instituto Camões na Universidade de Estocolmo, de Setembro de 2004 a Agosto de 2007. E nessa Universidade fundou o Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões, o único local onde se ensina Português e a Cultura Portuguesa na Suécia, a nível superior. Foi também director desse Centro de Língua Portuguesa entre 9 de Outubro de 2006 e 31 de Agosto de 2007. No âmbito da sua missão organizou palestras de escritores portugueses na Suécia (como José Saramago, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, José Eduardo Agualusa...), ciclos de cinema lusófono, exposições sobre aspectos variados da Cultura Portuguesa, bem como um concerto com música de Fernando Lopes-Graça na Aula Magna da Universidade de Estocolmo. Apoiou os tradutores de autores lusófonos como cabe a todos os que estão incumbidos de uma missão cultural. Membro do Centre National d'Études Cathares (Carcassonne, França) desde Março de 2001, com comunicações sobre essa temática da dissidência religiosa na Idade Média: La naissance de la dissidence en Occident et la nébuleuse hérétique (Carcassonne, Dez. 2001), ou Le «Languedoc hérétique»: le catharisme occitan à la fin du XIIe siècle (Poitiers, 2003). Membro do Centre d'Études et de Recherche sur l'Europe du Sud (Universidade de Poitiers) desde Abril de 2003. Membro do Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa desde Março de 2008, já com presença em alguns colóquios. No início de Novembro tomará parte nas VI Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval (organizadas pelas Sociedades de Estudos Medievais dos dois países, com o tema «A Guerra e a Sociedade na Idade Média») que vão decorrer em Aljubarrota, Alcobaça e Batalha. A sua intervenção, subordinada ao título «A memória da guerra em epitáfios de cavaleiros, 1400-1521», será no mosteiro de Alcobaça. Colaborou na geminação entre Marco de Canaveses e Saint-Georges les Baillargeaux, uma vila do «distrito» de Poitiers. Fez acompanhamento e tradução simultânea em visitas dentro desse intercâmbio à abadia de Nouaillé-Maupertuis, perto de Poitiers - o sítio da 3ª batalha de Poitiers, dessa vez a da guerra dos 100 anos (1356)».  Apostado na valorização da carreira académica e assumindo, claramente, uma postura cívica e cultural notável e desejável, é patente a sua preocupação em levar o produto da sua investigação ao público em geral, visando não só dar a conhecer o desconhecido, mas também motivar o maior número de pessoas para o saber histórico de rigor e de verdade. 2 ? Dr. CALORS ALBERTO F. DE ALMEIRA PEREIRA «Licenciado em Filosofia, nas variantes «Filosofia e Cultura» e «Ramo Educacional» pelo Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, no ano de 2003. De 09/2003 a 05/2004: realizou o estágio pedagógico em Filosofia, na Escola Básica 3/S Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, leccionando o Programa de Filosofia do 10.º ano, obtendo a profissionalização em ensino. Conclusão do Curso de Informática. Em 2004: Profissionalização em Ensino, através do estágio pedagógico em Filosofia, realizado na Escola Básica 3/S Domingos Rebelo em Ponta Delgada De 10/2004 a 08/2005: realizou um estágio profissional no Centro Municipal de Cultura da Câmara Municipal de Castro Daire, na área do Assessoramento Educacional e Cultural, tendo incidido o seu raio de acção sobre âmbitos como a educação, a cultura, o património e as artes, dirigindo e colaborando na elaboração e na execução de diversos projectos de cariz educacional e cultural. Desde 15/09/2005: docente do Ensino Secundário, nas disciplinas de Filosofia, Psicologia e Área de Integração nas Escola Secundária Alves Martins, Viseu; Escola Secundária C/3 CEB de Sabugal; Escola Secundária Gabriel Pereira, Évora; Escola Secundária Artística António Arroio, Lisboa; Escola Secundária Jaime Cortesão, Coimbra (nesta instituição foi docente dos primeiros Cursos Profissionais do Ensino Secundário Público, ministrando as aulas de Área de Integração e Psicologia aos 11.º e 12.º Anos. Em 2005 fez a Pós-Graduação em Bioética, pela Universidade Católica Portuguesa ? Pólo Porto. Nesse mesmo ano obteve a Certificação de Aptidão Profissional de Formador, pelo Sistema Nacional de Certificação Profissional (Instituto de Emprego e Formação Profissional). 2006/07: Especialização em Antropologia e Saúde pela Universidade Católica Portuguesa ? Pólo Porto, com a média final de 17 valores. Desde Outubro de 2008 é Secretário Executivo da Cátedra UNESCO em Bioética do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa. Desde Setembro de 2007, colaborador na docência de módulos da disciplina de Bioética na Universidade Católica Portuguesa ? Centro Regional do Porto ? em cursos Pré-Graduados (Enfermagem, Bio ciências e Psicologia) e Pós-Graduados (Engenharia Alimentar) Desde Janeiro de 2007 é Investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa. Aluno do IV Mestrado em Bioética da Universidade Católica Portuguesa (Porto) ? dissertação convertida em Tese de Doutoramento. Desde 2007 que é doutorando em Ciência e Ética no «I Doutoramento em Bioética» da Universidade Católica Portuguesa ? Pólo Porto. ARTIGOS PUBLICADOS «Imaginário» - tema da conferência «Sobre a Phantasia», inserida no programa do XXXVII Congresso de Jovens Filósofos, na Revista Nuvem de Fogo ? Associação Cultural. «Os Valores da Bioética e a Educação» ?na Revista Portuguesa de Investigação Educacional (N.º 6 de 2007) da Universidade Católica Portuguesa. «The Spell of the Sensuous»: o discurso profético de David Abram ? publicado na Revista Phainomenon (N.º 15 de 2007), da Associação Portuguesa de Filosofia Fenomenológica. «O Embrião Humano ? Considerações Bioéticas» ?publicado na Revista Portuguesa de Bioética (N.º 4 Abril-Maio de 2008). INFORMAÇÃO ADICIONAL - Membro do Centro de Estudos de Bioética (CEB) ? Pólo Coimbra; - Membro da Sociedade Portuguesa de Ciências Cognitivas. - Membro da Comissão Organizadora da Conferência Internacional «Cuidados Paliativos em Pediatria», a realizar em Março de 2009 no Pólo da Foz da Universidade Católica Portuguesa. - Responsável e Membro da Comissão Organizadora do «V Encontro Luso-Brasileiro de Bioética», que decorreu nos dias 3 e 4 de Julho de 2008 na Universidade Católica Portuguesa ? Pólo Porto. - Responsável e Membro da Comissão Organizadora da Conferência Nacional «Natureza e Ética», realizada no dia 9 de Novembro de 2007 na Universidade Católica Portuguesa ?Lisboa.  Com várias palestras e conferências realizadas em diversas escolas e locais do País subordinadas a temas da sua especialidade, este jovem académico apresenta um currículo que, à semelhança do seu colega do 6º J, Luís Pontes, e certamente outros meus ex-alunos que seguiram rumos diferentes na vida, dignificam e honram o concelho que os viu nascer. E eu, face a isto, confesso humildemente que teria muito gosto em ser, hoje, aluno daqueles de quem, ontem, fui professor. 3 - CONCLUSÃO Face a tão significativos currículos académicos que mais podia eu acrescentar-lhes, hoje, senão a folha da sua «Caderneta Escolar», humilde ilustração do início duma carreira de estudo, carreira promissora, de vontade e de mérito no domínio dos saberes a cuja investigação se dedicaram? Por tudo isso e porque no saco da dita «juventude rasca», não cabiam, como sempre entendi e aqui deixo a prova do meu entendimento, todos os jovens que, de uma maneira ou de outra, faziam e fazem pela vida, apraz-me, sobremaneira, divulgar a ascensão académica destes meus dois ex-alunos na disciplina de Português. E porque acreditava e acredito nas novas gerações, mantenho a esperança de que os estudos, a Ciência, a História, a Cultura e a Ética venham um dia a ser os pilares mentais que escorem a postura e o comportamento dos decisores políticos eleitoralmente responsáveis pela evolução e progresso do concelho de Castro Daire. Preferencialmente com domínio das novas tecnologias, hoje indispensáveis à boa gestão da res particular e das res publica. E que não seja preciso esperar que se tornem adultos e cultos os meninos que no ensino básico acabam de receber o PC «Magalhães». |