» Novidades

CASTRO DAIRE TEVE OU NÃO TEVE CASTELO?
Sob a mesma interrogação, o leitor encontrará neste site mais alguns artigos sobre este mesmo assunto. O facto deve-se a Jorge Cardoso que, no seu «Agiologio Lusitano», edição de 1666, registou a tradição oral existente em Castro Daire, em que se afirmava D. Dinis ter autorizado a construção da Igreja Matriz com a pedra do castelo da vila, em ruínas.

A tradição fez escola através dos tempos e ainda hoje permanece a dúvida: Castro Daire teve ou não teve um castelo?

Também é certo que, no século XVII, no «Livro das Visitações» se lê a advertência do «visitador» para que os populares não «roubassem as pedras que estavam no adro da igreja».

 

        

                      Eis, em sombra, as muralhas, ameias e torreões...

 

Face a tudo isto não me tenho cansado de investigar no bairro histórico da vila quaisquer indícios que me confirmassem ou infirmassem algo que desse substância a essa tradição.

E, nessas minhas deambulações, por ruas e cômoros das quintas vizinhas, encontrei pedras metidas nas paredes com marcas evidentes de serem provenientes de construções urbanas anteriores.

        

                       Ele quis ver e testemunhar a existência do castelo...em sombra

 

Mas o que eu não esperava encontrar, numa dessas minhas caminhadas de pesquisa, era a sombra do castelo projectada no muro do quintal pertencente a uma moradia, sita, exactamente dentro do perímetro da castelania. Não resisti a fotografar tal muro, tal sombra, e aqui trago até vós o resultado, sem artifícios nem fotomontagem. E isso pode testemunhar o amigo Amândio Bizarro que se deixou fotografar junto das «muralhas». Fosse eu crente, acreditasse nas almas do outro mundo, levasse a sério a expressão «Deus escreve direito por linhas tortas» e não deixava de ver nesta sombra de muralhas, ameias e torres a ressurreição do castelo, aquele que, tendo eventualmente existido, viu as pedras das suas muralhas saírem do lugar que ocupavam na História da vila e darem forma a templos, casas e cômoros de socalco nas redondezas. Coisa misteriosa esta: é como se, derrubado fisicamente o castelo, as almas daqueles que nele habitaram queiram mostrar a ligação do clero e da nobreza até ao fim dos tempos, num jogo de luz e de sombra. Isso enquanto o Sol iluminar a Terra. Enquanto um cataclismo não derrubar a casa que projecta a sombra e o muro que a recebe.  

Concluindo: Castro Daire, vivendo sob a dúvida de ter tido ou não um castelo em tempos idos, tem seguramente a sombra das suas muralhas, ameias e torres no muro do quintal de uma casa brasonada.

voltarimprimirtopo