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CASTRO VERDE - ARTE PÚBLICA
Uma obra de arte esculpida em mármore branco que me cativou, patente no centro de uma das rotundas da vila, locais onde a autarquia parece ter apostado em dar voz à «arte pública» e impressionar o visitante, é aquela que se levanta na rotunda, que vai servir de entrada na vila a quem vem de Mértola e Santa Bárbara de Padrões, ali mesmo junto ao hotel «A Esteva», onde estive hospedado.

Toda a obra de arte, para que seja considerada como tal, deve ser  plurissignificativa e intemporal. E se não for assim, dificilmente entrará nos anais das ditas  obras  arte.

Trata-se de uma escultura lavrada em mármore branco, onde uma figura masculina, postada de joelhos, segura, numa espécie de bandeja, a vila de Castro Verde, facilmente identificada pelo recorte do casario, onde sobressai a Basílica Real. À sua frente, uma figura feminina, de pé, com a mão direita estendida, parece disposta a suster a vila, caso o homem ceda a qualquer momento.

 

     

 

Obra do escultor Lanchoto Pulidari, com o título «Planície Alentejana», eis numa só peça escultórica a complementaridade do homem e da mulher. O homem, de joelhos, prestes a perder as forças, tem pela frente a mulher, pronta a agir e a substitui-lo na acção. Estou certo que o escultor, fazendo jus ao papel que o homem e a mulher têm desempenhado ao longo da História, projectou na sua obra não só o tempo histórico remoto onde o verbo e o poder foram sempre masculinos, mas também o tempo presente em que a mulher, ainda que apareça aqui secundarizada, se mostra pronta a agir, a substituir o homem e a tomar o seu lugar. E se o homem revela força e poder, segurando o casario da vila numa só mão, nem por isso deixa de se prostar de joelhos frente à mulher.

Ainda que considere legítima toda e qualquer outra interpretação, interpretação linear e fulanizada, de acordo com a cultura e a  mundividência paroquial de cada intérprete, não sou daqueles que faz desta obra de arte uma leitura assim. Devo até deixar uma palavra de apreço à inspiração do escultor, que não conheço. Ali, saída do seu escopro, da sua maceta, do seu cinzel, eventualmente da sua rebarbadora eléctrica, ficou patente para tempos vindouros,  um legado artístico, uma marca no espaço e no tempo . Enfim, uma página da «planície alentejana», uma página de História escrita em mármore.

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