Diferentemente do que acontece com as demais Áreas de Serviço colocadas ao longo das nossas auto-estradas, nesta pode o viajante inverter a marcha, seja qual for o sentido em que se desloque, Lamego/Viseu ou Viseu/Lamego.  Além do abastecimento de combustível, sempre necessário a quem se desloca em viaturas, existe ali um minimercado, um restaurante e uma cafetaria com uma bela esplanada. Ela bem pode tornar-se um sítio atractivo para os residentes em Castro Daire e arredores que, nas noites cálidas do verão, queiram usufruir algumas horas de frescura própria da serra do Montemuro. E por falar na serra do Montemuro um reparo em desfavor da sensibilidade ecológica e humana revelada pelos arquitectos ou engenheiros responsáveis pelo projecto e disposição dos equipamentos no terreno. Tudo está ao contrário. Então não é que em vez de colocarem o restaurante e a cafetaria virada para a serra, permitindo que, da esplanada, o utente natural ou forasteiro, enquanto come, repousa ou descansa, possa usufruir da bela panorâmica que o sítio proporciona, que pudesse levar in mente o recorte, o relevo e as cores do Montemuro, optaram por colocar os equipamentos de abastecimento de combustível e afins, tolhendo tais vistas, tal panorâmica?  Já não há remédio. Implantados os equipamentos, há que usá-los assim, como estão, mas não resisto a fazer este reparo. Eu sei que há conceitos de vida e de beleza que ainda não pairam sobre os estiradores de muitos arquitectos e engenheiros da nossa praça. Faz-me lembrar o último quartel do século XIX, tempo em que, nos prédios e moradias projectados por arquitectos e engenheiros, fosse casa nobre ou burguesa, estava excluída a banheira. Coisa hoje inconcebível. Faz-me lembrar, também, aquele arquitecto dos nossos dias que, projectando uma moradia burguesa onde não falta nada, churrasqueira, piscina e tudo o mais que informa do estatuto burguês do proprietário, não se lembrou de incluir uma biblioteca/videoteca. Está, seguramente, desatento ao tempo que passa, está desatento às necessidades novas que o tempo impôs. Digo bem «necessidades novas».  «Mutatis mutandis», também ali, naquela Área de Serviço, uma autêntica varanda virada à serra, os responsáveis pela implantação dos equipamentos no terreno, terraplanagem feita, não atenderam às novas «necessidades» de quem passa: para além do gasóleo e da gasolina, o viajante usufruir, ainda que por pouco tempo, em panorâmica alargada, as belezas que o campo e a serra oferecem, de borla, a quem passa. Sobretudo ao viajante urbano, cansado de ver cimento e respirar CO2. |