Marcelino Duarte Pereira pegou na ideia e, desde 1997 até ao presente ano de 2009, foi um porfiar contra ventos e marés. Teve quem o apoiasse no projecto, teve quem fosse indiferente e teve quem, em surdina, apostasse que o monumento jamais seria levantado sem apoio das autarquias. E nem deixavam eles de ter alguma razão, pois isto de ser o povo a pagar equipamentos públicos, como aconteceu com a primeira escola de Cujó, foi no tempo da «outra senhora» que só a muito poucos deixa saudades. E assim aconteceu, o monumento acabou de ser inaugurado, com pompa e circunstância, no dia 15 de Agosto deste ano.  Assim, graças às «participações» em dinheiro feitas por aqueles que acreditaram no projecto e, ultimamente, com o apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, que, muito bem, não se pouparam a esforços no sentido de levarem por diante a ideia e emprestarem dignidade ao monumento com o arranjo feito em seu redor, seja a iluminação e relva com sistema de rega incorporado. Ele fica ali mesmo à entrada da aldeia, para quem entra pelo lado de São Joaninho, um pouco antes da bifurcação da estrada que leva a Cujó e a Almofala.
Obelisco elegante, feito em granito, consta de uma base com dois degraus em círculo, sobre os quais se levanta uma pirâmide triangular assente em três esferas. Em cada face da pirâmide, em material a imitar o bronze, foram colocados os símbolos das actividades e profissões mais representativos das gentes de Cujó: «Agricultura», a «Justiça» e as «Letras», já que, no desenrolar do processo, se deixou cair a ideia inicial de ser um monumento dedicado somente ao «emigrante» e se entendeu ser dedicado ao povo no seu conjunto. Assim, numa das suas faces foi colocado o símbolo de uma «enxada», representado a actividade económica agro-pastoril dominante na aldeia, desde o longínquo «prazo» pertencente ao Couto da Ermida, como reza o respectivo foral dado por D. Manuel em 1514. Noutra face figura uma «balança», simbolizando a «Justiça» e os naturais da terra que, desde a década 50 do século XX, se formaram em Direito e se tornaram advogados, juízes ou magistrados do Ministério Público. Noutra face figura um «livro» a lembrar todos os que se formaram em Ciências ou Letras (sacras e profanas), como sejam professores, sacerdotes, militares, engenheiros, enfermeiros, agentes de segurança, enfim, todas as profissões que exigiram escolaridade média ou superior, escolaridade assente no estudo, nos livros, na investigação, na leitura e na escrita, mas também todos os outros profissionais que, não tendo tido acesso às letras, ou se ficaram pelo ensino elementar, se formaram no livro da vida e venceram todas as vicissitudes dela, com «saber de experiência feito».  No dia da inauguração discursaram «in loco» o persistente promotor do evento, Marcelino Duarte Pereira, o Presidente da Junta da Freguesia, António Duarte Silva e a presidente da Câmara Municipal de Castro Daire, Engª Eulália Teixeira, todos naturais de Cujó. Todos foram unânimes em sublinhar a importância do monumento enquanto documento histórico que honra os antepassados, devendo, por isso, ser o orgulho dos presentes e dos vindouros. Cujó estava mais rico a partir deste dia, disseram. Na parte que toca ao humilde escriba desta crónica, também natural de Cujó, conhecedor das vicissitudes que o projecto atravessou até se levantar no sítio, sabendo que a sua construção não conseguiu consenso de opiniões à sua volta, faço votos para que, realizada a obra, todos os naturais de CUJÓ, amantes da sua terra, da sua História, da sua Cultura, respeitadores dos seus antepassados, se identifiquem com o monumento agora inaugurado e se revejam na LEGENDA que ali ficou escrita: «HOMENAGEM AO TRABALHO, À HONESTIDADE E AO SABER DOS HOMENS E MULHERES DE CUJÓ», legenda que, atempadamente, para ali redigi a pedido do promotor do projecto. Entreguei-lha num esquiço com vista a ela figurar, virada para a estrada, num dos anéis da base do monumento. Não acolheu a minha sugestão Marcelino Duarte Pereira e já que não há bela sem senão, deve dizer-se, em abono da verdade particular e pública, que se a concretização do monumento se deveu, efectivamente, à persistência e à teimosia deste cidadão de Cujó, a ele se devem atribuir também os erros da má distribuição estética dos elementos e dos textos ali gravados. Não se compreende que a «LEGENDA», que identifica o monumento e a sua razão de ser, tenha sido remetida para uma face da pirâmide, uma parte do todo, diminuindo-lhe assim o impacto e a semântica. Viva Cujó.
|