Graças à «MOSTRA, CASTRO DAIRE 2007» que, de alguns anos a esta parte, se tem realizado na sede do concelho, nomeadamente no espaço do «Jardim Público» da vila e ruas adjacentes, vim a saber que em Cujó, minha terra de nascimento, teve lugar, nos anos de 2006/2007, um curso de «Saber-fazer: ofícios tradicionais», promovido pela Câmara Municipal e Junta de Freguesia, sendo esta composta por António Duarte Silva, João Brito Duarte Salgueirinho e Umbelina Santos Silva.
No distante ano de 1974, na, não menos distante, cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo), numa praceta sita na, então, designada Avenida Pinheiro Chagas, onde ficava o «Externato Marques Agostinho», apareceu, como vinha sucedendo todos os anos, mais uma "escultura" alusiva ao Natal.
Qualquer cidadão que se tenha dado ao trabalho de relacionar o Homem com o uso da pedra, seja servindo-se dela para construir a habitação, os templos, os túmulos, as pequenas, médias e grandes ‘esculturas’, verá que essa relação se desenrola ao longo dos tempos históricos até ao presente.
E são estas irrefutáveis provas materiais deixadas na pedra, para sempre, que me põem a pensar sobre os trilhos que falta rasgar na serra, trilhos serranos que conduzam, efectivamente, ao chafariz das «artes» e das «letras».
Desde que, com os meus dezasseis ou dezassete anos, (há quanto tempo foi isso, senhores!!!) com cinzel, ponteiro e maceta, arranquei do tampo de chapa de um bidão de 200 litros o «cata-vento», em forma de «cavalo», objecto que, mais de 50 anos, resistindo às intempéries, perdurou no topo do telhado da casa dos meus pais, em Cujó, cata-vento recentemente recuperado e translado para o cimo do telhado de uma sobrinha minha, ali nas vizinhanças, nunca perdi a vontade de arrancar outras figuras escondidas nos materiais que a Natureza põe à disposição do Homem.