Respeitador que sempre fui do trabalho alheio e fiel à deontologia seguida por todo o investigador, produtor e divulgador de saberes conseguidos através de muito labor, empenho e paciência, interrogo-me sobre as razões que levaram o auto/gestor do site «www.ester.pt» a fazer uso do conteúdo do meu livro «Ester, Pegadas no Tempo» e a ocultar o título e nome do autor, isto é, servir-se do seu miolo, da sua alma, mas rejeitar o seu nome e o seu rosto.
Para que o leitor melhor entenda a razão por que, na crónica anterior, me insurgi contra a atitude revelada pelos responsáveis do site «www.ester.pt» que, fazendo uso do conteúdo do meu livro «ESTER, PEGADAS NO TEMPO», omitiram o título e o nome do autor, a coberto não sei de que preconceito censório ou de ignorância científica, não posso deixar de voltar ao assunto a fim de ele ficar bem esclarecido.
O «LIVRO VERDE» elaborado para se levar a efeito a reforma administrativa onde se preconiza a «agregação» de freguesias, informa no «2º Capítulo – Organização do Território», no ponto 2.3 – Metodologia, alínea c) que «Na elaboração da Legislação do novo Mapa Autárquico, as freguesias que forem agregadas verão respeitada a sua identidade, a sua toponímia, bem como a sua história e cultura».
O livro de José Rodrigues dos Santos «O Último Segredo», romance onde ele mostra, à evidência, as fraudes contidas nos Evangelhos ao longo dos tempos (alterações, adulterações e supressões em muitos versículos) isto depois de aturada investigação nas bibliotecas da especialidade, bibliotecas onde alguns dos seus críticos nunca sonharam pôr os pés e, no que toca ao estudo das Sagradas Letras, mal ultrapassaram as badanas do Catecismo e do que dele aprenderam na catequese, ignorando por completo os métodos e caminhos que levam à construção de saberes relativos às ciências e/ou as religiões, fez-me remontar ao ano de 1986, data em que dava corpo a uma crónica sobre uma velha tradição existente na povoação de Cujó, designada «Entrada aos Serões».
Recuar aos anos sessenta do século passado e ter acesso a documentos que nos elucidam não só sobre da História Local, mas também sobre o quotidiano, que é como quem diz, «estória» com gente dentro, é um verdadeiro privilégio.
O Dr. Eduardo Pinto de Carvalho, médico a exercer, actualmente, clínica nas Canárias, concedeu-me recentemente acesso e posse ao espólio do seu pai, Eduardo Pinto de Carvalho, comerciante muito conhecido em C. Daire, já falecido.
Uma leitura minuciosa das «Inquirições de 1258» no que respeita às terras que hoje estão integradas no concelho de Castro Daire, diz-nos muito sobre a História Local sobre a identidade dos seus protagonistas, sua categoria social e relações que eles tinham com os bens materiais e espirituais.
Retomando o assunto da minha crónica anterior relativa ao busto de Clemente da Costa, agora colocado à esquina do Mercado Municipal, direi que, mesmo sem dons premonitórios, bem pensei quando aderi ao vaticínio de que o plinto, pela forma e pelo sítio, não tardaria a ver-se rodeado de pessoas e embrulhos, a servir de banco ou de pouso de mercadorias, a fazer lembrar o tejadilho das carreiras antigas, coisa que não destoava do contexto de vida do empresário. E perguntava-me se o arquitecto Hélder Lemos, autor do projecto, teria pensado nisso.
Alguns moradores de Fareja, em 1258, deram o seu testemunho nas «Inquirições» que, nesse ano, D. Afonso III mandou fazer para apurar do caminho ou descaminho que levavam os foros que lhe eram devidos. Foros pagos em espécie, fruto de soutos, herdades, leiras e campos, naquela altura e sempre, necessitados de água para uma melhor produção.
A convite da Câmara Municipal de Castro Daire (Secção do Turismo), por ser autor do livro «Mosteiro da Ermida» editado em 2001, fui «acompanhar» uma visita de turistas nacionais e estrangeiros à Igreja da Ermida do Paiva, no dia 5 de Maio p.p.
No dia 29 de Junho deste ano de 2011, depois de tomar o café matinal, resolvi ir ler o jornal sentado num dos bancos do Jardim Público e, simultaneamente, inalar o melífero e intenso odor das flores das tílias que não passa despercebido a ninguém que por ali transite com pituitária sadia.
O título em epígrafe é uma frase que escrevi, em tempos, num dos meus livros, não me lembro qual deles, que foi repescada para a recente crónica que pode ser vista neste site, sobre o projecto de agricultura do mirtilo biológico, levado a efeito na «Quinta da Boucha», em Reriz.
A mais remota lembrança que me liga à sardinha, a esse escamoso e prateado bacalhau dos pobres, remete-me para os meus 3 ou 4 anos de idade, lá para os anos de 1942-43, quando o meu pai, Salvador de Carvalho, tinha uma taverna em Cujó.
Continuando a minha crónica anterior relativa ao empreendimento agrícola familiar «RBR Mirtilo Biológico» levado a cabo na Quinta da Boucha, em Reriz, devo acrescentar que o empresário mais novo, Rui Rosa Dias, que vimos, juntamente com o seu irmão Carlos Rosa Dias, vestido de camponês a apanhar o mirtilo, é «Assessor da Direcção AGROS, U.C.R.L. – Marketing Inovação e Agricultura Biológica (…), doutorado em Economia Agrária Pela Escola Técnica Superior dos Engenheiros Agrónomos de Madrid e Professor convidado do IPAM».
Dada a polémica que se tem levantado sobre o novo modelo de avaliação de professores não resisto a publicar neste meu site a parte final do meu «Relatório de Desempenho» apresentado ao Sr. Ministro da Educação, Professor Marçal Grilo, em 16 de Julho de 1996, visando a obtenção de «Excelente» para progressão na carreira. Assim:
Castro Daire. Dia Mundial da Criança no ano de 2011. O Jardim Público da vila transbordava de alarido e de calor humano. Tudo o que pode permitir-se a uma criança no seu convívio com outras crianças foi colocado e visto ali.
Dário Pereira Loureiro, natural da aldeia de Pinheiro, com 74 anos de idade, neste ano de 2011, é, o que pode dizer-se, «um bom garfo acompanhado de uma boa pinga».
O excerto do texto que se segue foi escrito e publicado em 2006 e, referindo-se embora a um casal, tem como principal protagonista o marido, José Duarte Bernardo.
No meu livro «Memórias Minhas» editado no ano de 2006, no capítulo «Caça» digo taxativamente que «gosto do monte, da serra e do vale. Da natureza (…) Algo de celta vive em mim. Esta adoração à natureza, este olhar o firmamento como tecto do templo que alberga todos os deuses e ícones da minha religião, cada penedo um altar, cada árvore e cada regato uma divindade, quem mo explica»? (pp. 109-110)
Desatento andaria eu no mundo que me rodeia e injusto seria para com aqueles que vão fazendo os melhoramentos locais se, à semelhança do que fiz na última crónica focando o novo acesso ao alto da Santa Bárbara, em Cujó, e reconhecendo as boas opções da Junta de Freguesia, omitisse, ou passasse ao lado, da nova estrada que dá acesso a Fareja a partir do Lobo Joanes, topónimo este que já existia em 1258.
Neste ano de 2011 fui passar o dia de Páscoa com o meu irmão Zé e família a Cujó. Depois do almoço, e como já é hábito quando ali me desloco, fomos, estrada fora, dar um passeio até ao Buraquinho da Senhora da Lapa, ali para os lados do novo depósito de águas, para cima do Paúlo Grande.
“(…) Hoje, infelizmente, as chefias desmultiplicam-se, aquilo que deveria ser feito por um é, normalmente, repartido por vários (…) Há em Portugal uma cultura de funcionalismo público no pior sentido do termo, ou seja, a função constitui mais uma oportunidade de emprego seguro do que de afirmação de carreira profissional (…)”
(Gomes Fernandes, “Função Pública” in JN de 01-06-20)
Meu caro conterrâneo e amigo, vou pôr de lado o título académico e tratar-te por tu, tal como fazemos quando, pelas circunstâncias da vida, nos encontramos esporadicamente, apesar de ambos termos nascido em Cujó e demonstrado publicamente o afecto à terra onde passámos a infância, e bem assim o respeito e a consideração revelados por todos aqueles que, como nós, descalços ou de tamancos, conhecemos os carreiros e os caminhos por onde começámos a formigar a vida.
Nos anos oitenta do século XX, privei, algumas vezes, com o senhor Antero Herculano Peixoto Teixeira de Aguilar, cidadão que, com a sabedoria da vida e o seu estatuto social até a contar uma anedota brejeira mostrava a sua linhagem fidalga.
Aqui há um bom par de anos fui abordado por um senhor, de Arcas, que se dizia herdeiro da casa que foi do ferrador João da Cruz, protagonista do romance «Amor de Perdição» de Camilo Castelo Branco.
Aníbal Correia de Mendonça (06.11.1867 a 14.09.1928), filho de José Correia de Barros Coelho e de Diana Carolina de Mendonça Pinto de Sousa Balsemão, casou com Dona Maria Celestina de Frias Oliva (21.01.1878 - ?) de quem teve os seguintes filhos: José de Mendonça Oliva (08.09.1898 - ?) e João de Mendonça Oliva (14.01.1900) que emigraram para o Brasil; Maria Diana de Mendonça Oliva (30.05.1901 a ?) e Carlos Emílio de Mendonça Oliva, (10.03.1907) que seguiu os passos dos irmãos mais velhos.
Alberto Correia, Alexandre Alves e Inês Vaz, no seu livro «Castro Daire», editado em 1986, após a leitura que fizeram das «Inquirições de 1258» de cujo texto deixaram uma versão impressa nos «Anexos» desse livro, incluíram a actual povoação do Mesio, no concelho de Castro Daire de então. Não é essa a minha opinião.
Eles partiram do facto de nessas «Inquirições» estarem nomeadas todas as aldeias do termo de Castro Daire que pagavam foros ao rei, entre elas «Barrial do Homizio» e foi esta designação que os levou ao erro cometido.
O censor do Santo Ofício que deu parecer favorável à impressão da «Nova Floresta ou Silva», como já vimos em crónica anterior, disse que não se tratava apenas de «um livro», mas de uma «livraria».
Eis como o livro «Nova Floresta ou Silva de vários apotegmas» (I Tomo), do Padre Manuel Bernardes, se torna um filão perseguido por mim em busca de enriquecimento cultural, à semelhança do filão de volfrâmio perseguido, durante e o pós guerra, por mulheres e homens da minha terra natal, em busca de melhor vida material.
Ainda embrenhado na «Floresta ou Sylva», do Padre Manuel Bernardes, livro que morou, desde não se sabe quando, na minha terra natal, direi que gado, matagais, silvas, silvados, lameiros, campos lavrados e semeados não faltavam nas redondezas. A agricultura e a pastorícia eram as actividades predominantes.
E o entusiasmo do censor do Santo Ofício dizendo que «neste livro terão os doutos copiosamente, não só livro, mas livraria», prolongou-se por séculos entre os estudiosos e curiosos e, ainda que tardiamente, também chegou a mim. Atentemos, pois, nas suas palavras:
No parecer favorável à impressão do livro «Nova Floresta, ou Sylva de vários apophthegmas» elaborado, em 1702, pelo o censor da Mesa do Santo Ofício, este, a linhas tantas, sublinha o supremo valor da obra. Vejamos em ortografia actual as suas palavras:
Na crónica anterior coloquei a hipótese de o livro «Nova Floresta, ou Sylva de vários apophthegmas» da autoria do Padre Manuel Bernardes da Congregação do Oratório, autorizado a ser impresso pela Mesa Censória do Santo Oficio, em 20 de Julho de 1706, ter sido pertença do Padre João Duarte, natural de Cujó, Reitor do Touro, em 1817.
Referi que na margem de uma das suas folhas se encontrava uma anotação manuscrita a lápis a dizer que o livro pertencia «aos herdeiros de João Duarte» e refiro agora que noutra página, em rodapé, aparece também manuscrito o nome de «José Morais».
Creio que foi o meu irmão António, capitão do exército na reserva, e a sua esposa, Isabel Pereirinha, que me ofereceram um livro, velhinho de muitos anos, quase a desfazer-se, sem a página de rosto onde eu pudesse identificar o autor, a oficina de impressão e o ano de edição.
O General José Agostinho Melo Ferreira Pinto, cidadão de Castro Daire, atento aos trabalhos que tenho andado a publicar sobre as «nossas terras e as nossas gentes», incluindo as pessoas mais graduadas e as mais humildes, interpelou o meu silêncio sobre o Doutor Albano Pereira Júnior (já falecido) natural de Santa Margarida, catedrático que foi da Faculdade de Farmácia de Lisboa.
E posto isto, num tempo em que tanto se promove a mediocridade e se menospreza ou ignora o mérito e a excelência, foi para mim um privilégio discorrer sobre a trajectória de vida deste cidadão de Castro Daire que, não tendo, embora, qualquer protagonismo local, se dedicou à ciência e divulgou o nome de Castro Daire, por boticas e farmácias do país.
Desde que comecei a fazer uso da Internet que a comparo à abóbada celeste, polvilhada de estrelas, muito brilhantes, umas, outras a catrapiscar como que a fazerem negaças ao observador, e outras, ainda, ocultando-se no breu da noite cósmica, como que a desafiar a curiosidade e a persistência de quem se move pela energia da descoberta.
Passados 15 anos depois de tanto alarido sobre as gravuras do Côa, aí temos prontinho, inaugurado, hoje, dia 30 de Julho de 2010, o «Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa».
A designação de «Quatro Esquinas» atribuída ao canto sul do actual «Jardim Público» da vila de Castro Daire, ali onde, em dias de feira (e não só) é o local de encontro das pessoas que procuram ver os amigos, discutir assuntos comezinhos, ou importantes de política nacional ou local, essa designação, dizia eu, é a prova cabal do papel que a memória desempenha na História do Homem e das comunidades.
Desde há muito que os meus olhos e, estou certo, os de muita gente, caem regalados sobre a horta do senhor Aristides, ali mesmo ao pé do coreto, em Castro Daire.
Esta aldeia remonta aos primórdios da nacionalidade portuguesa, pois mais de uma dúzia de testemunhas desta terra depuseram nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258, acerca dos descaminhos dos foros do rei do tempo e antes dele. Remetemo-nos para o texto e vejamos os termos da Inquirição:
A implantação da República não se ficou por Lisboa. Neste Portugal inteiro teve gente pró e contra. O Padre António Teixeira Marcelino, abade de Ribolhos, esteve contra. Bateu-se publicamente, e por escrito, pelas suas ideias. Mas vamos ver o que ele pensa dos republicanos e dos seus camaradas monárquicos, em 1925, já longe da refrega inicial, num artigo publicado no jornal «O Castrense».
O que pensariam alguns habitantes de Cujó sobre a República, tempo de mudança e de vontades pró e contra o novo regímen, é coisa que ficará no segredo dos Deuses.
Para que o leitor não seja induzido em erro e pensar que o Palacete Pinto Basto, (mais conhecido por Palacete das Carrancas) pertencia, historicamente a essa família, impõe-se abrir aqui um parêntese para esclarecer o assunto.
O jornal «O Castrense», de 21 de Maio de 1911, numa crónica assinada por B. Morgado, dá-nos um cheirinho de como se processavam as eleições, em tempos da monarquia. Assim:
A implantação da República não se quedou pela «revolta 31 de Janeiro de 1891», nem pelos «heróis da Rotunda, comandados por Machado dos Santos», nem pela proclamação feita na varanda dos Paços do Concelho em 1910, por José Relvas». Ela teve, na província, quem desse o corpo e a alma ao manifesto em defesa dos seus princípios. E também teve quem estivesse contra e a favor do regime caído.
Oh! E como eu vejo os professores de História, por estas vilas fora, agarrados ao programa dos compêndios escolares e a transmitirem aos seus alunos «história sabida», ignorantes que são da História Local e, assim, impossibilitados de darem contributos novos ao «Centenário» que, neste ano de 2010 de comemora.
A implantação da República não se quedou pela «revolta 31 de Janeiro de 1891», nem pelos «heróis da Rotunda, comandados por Machado dos Santos», nem pela proclamação feita na varanda dos Paços do Concelho em 1910, por José Relvas». Ela teve, na província, quem desse o corpo e a alma ao manifesto em defesa dos seus princípios. E também teve quem estivesse contra e a favor do regime caído. Oh! E como eu vejo os professores de História, por estas vilas fora, agarrados ao programa dos compêndios escolares e a transmitirem aos seus alunos «história sabida», ignorantes que são da História Local e, assim, impossibilitados de darem contributos novos ao «Centenário» que, neste ano de 2010 de comemora.
A implantação da República não se quedou pela «revolta 31 de Janeiro de 1891», nem pelos «heróis da Rotunda, comandados por Machado dos Santos», nem pela proclamação feita na varanda dos Paços do Concelho em 1910, por José Relvas». Ela teve, na província, quem desse o corpo e a alma ao manifesto em defesa dos seus princípios. E também teve quem estivesse contra e a favor do regime caído. Oh! E como eu vejo os professores de História, por estas vilas fora, agarrados ao programa dos compêndios escolares e a transmitirem aos seus alunos «história sabida», ignorantes que são da História Local e, assim, impossibilitados de darem contributos novos ao «Centenário» que, neste ano de 2010 de comemora.
A implantação da República não se ficou pela revolta de 31 de Janeiro, no Porto em 1891, nem pelos «heróis da Rotunda» de Lisboa, comandados por Machado dos Santos, nem pela proclamação feita na varanda dos Paços do Concelho, dessa cidade, por José Relvas, em 1910. Por estas aldeias e vilas do país também houve os seus momentos e os seus protagonistas, pró e contra.
E eles são, seguramente ignorados pelos professores de História que, leccionando nas escolas de Província, mais preocupados em cumprirem os programas compendiados, do que conhecerem a História Local, nem sabem que contributo podem dar ao «Centenário» que se comemora neste ano de 2010.
Finalmente no dia 03 do corrente, pelas 17H30, no Salão Nobre da Câmara Municipal, tomaram posse os membros eleitos para o Executivo e Assembleia Municipal.
O Espaço revelou-se pequeno para tanta gente. O Salão estava a rasgar pelas costuras e muitas pessoas tiveram de ficar no átrio da entrada
Não esperei muito para encontrar mais um artífice, de escopro na mão, a dar o seu contributo à imagem que se vinha cinzelando no sentido de enriquecer O LIVRO nacional de «heróis e santos».
«Hoje o relativismo tornou os historiadores mais modestos. Donde falam eles? Do alto da «Ciência»? Quem ousará dizê-lo? Porque se a História é científica, essa Ciência, enquanto tal, é totalmente problemática». (NORA, Pierre, «O Acontecimento e o Historiador do Presente» in «A Nova História», de Jacques Le Goff, et alli, Edições 70,1978.
No dia 8 de Outubro deste ano, pessoa amiga, sabendo-me envolvido na investigação, estudo e divulgação da História, fez-me chegar à mão o jornal «Poetas & Trovadores», nº 49 de Abril/Junho de 2009, saído do Apartado 108, 4801-910 Guimarães, cujo director é Barroso da Fonte.
No rescaldo e, digamos, na degustação da derrota do PSD, personificado na Engª Eulália Teixeira, aquela que, historicamente, me deu o prazer de ser a primeira mulher do concelho a ascender à Assembleia da República como deputada, aquela que foi a primeira mulher do concelho a tornar-se presidente da Câmara.
No longínquo ano de 1990, no mês de Agosto, publiquei na imprensa regional e na WWW uma crónica sobre o «Acampamento de Verão» que a Quercus fez em terras montemuranas, a saber, a Graleira, Cotelo, Rossão e Campo Benfeito.
Nestas minhas andanças venatórias pelas serras da Lapa, da Nave e do Montemuro dei-me conta, ao longo dos anos, da moda que foi cada aldeia ter um campo de futebol de terra batida.
Atento ao mundo que me rodeia, sensível aos eventos e ventos que emergem ao lado dos paradigmas políticos, económicos, culturais e sociais estabelecidos nas sociedades, eventos que, por imperativo da profissão que desempenhei, enquanto docente, e do exercício da minha cidadania, enquanto cidadão...
Mas, acerca da legitimidade dos colonizadores fazerem guerra, ocuparem e escravizarem os índios da América, Frei Francisco de Vitória, em 1538 ou 1539, levanta a sua voz para dizer coisa bem diferente:
Sei que nas tuas andanças pelo Mundo das Letras viajaste pela «História da Antiguidade Oriental», «História da Civilização Grega», «História da Civilização Romana», «História da Cultura Clássica», «História da Cultura Medieval» e «História da Cultura Portuguesa».
Mas não me percamos o fio à meada. Fica sabendo que na linha dos teus ascendentes, contas, não só, com Viriato, que combateu heroicamente os romanos, mas também, com Afonso Henriques que, heroicamente combateu os mouros.
Esta lenda e muitas outras coisas fantásticas são uma espécie de iluminuras que ilustram o grande livro da Cultura Portuguesa. Da tua cultura. E não penses que elas foram eliminadas pelo Renascimento, esse movimento cultural que, no século XVI, fez ressurgir a literatura e a arte greco-latinas de que também és herdeiro.
Submetida a Península, dominados os povos indígenas, estes não têm outro remédio senão aculturarem-se e, em muitos aspectos, mudarem o seu ancestral modo de vida. Romanizaram-se.
Repara neste pedacinho de Lusitânia com os seus rios e gentes, tal como no-lo diz Estrabão:
Pois é. Tem sido assim. A cultura e o conceito de cultura que têm vigorado são os que se têm divulgado pela via académica, a via erudita, como se no campo e na vida comum, na biblioteca andante do povo sem letras, não se encontrassem testamentos ou codicilos da herança clássica-bíblica. Almeida Garrett, não se referia somente à cultura livresca quando em 1854 escreveu o seguinte:
VIAGEM ONÍRICA
Mas, eis que, enquanto dormia, uma figura nunca vista, talvez uma divindade lusitana, emergindo do rio Paiva, uma Paivatea, aproxima-se dele, e dirige-lhe estas palavras aladas:
Há cerca de uma dúzia de anos, num dos convívios anuais que os naturais de Cujó costumam fazer em Lisboa, António Silva apresentou a ideia de se fazer um monumento ao «emigrante» na terra natal.
Desde que, com os meus dezasseis ou dezassete anos, (há quanto tempo foi isso, senhores!!!) com cinzel, ponteiro e maceta, arranquei do tampo de chapa de um bidão de 200 litros o «cata-vento», em forma de «cavalo», objecto que, mais de 50 anos, resistindo às intempéries, perdurou no topo do telhado da casa dos meus pais, em Cujó, cata-vento recentemente recuperado e translado para o cimo do telhado de uma sobrinha minha, ali nas vizinhanças, nunca perdi a vontade de arrancar outras figuras escondidas nos materiais que a Natureza põe à disposição do Homem.
RABAÇOSA. Rio Paiva. Mões. Castro Daire. É isso mesmo. Ali, na antiga quinta da Rabaçosa, que dorme aconchegada ao rio Paiva, está prestes a abrir portas um empreendimento virado para o turismo rural, o turismo ecológico, o turismo histórico e cultural.
É sempre com prazer e regozijo que registo a chegada ao concelho de Castro Daire de uma marca de mudança e de progresso. Desta vez refiro-me à abertura da Área de Serviço de Castro Daire, ali a caminho de Lamego, bem perto de Colo de Pito.
Uma obra de arte esculpida em mármore branco que me cativou, patente no centro de uma das rotundas da vila, locais onde a autarquia parece ter apostado em dar voz à «arte pública» e impressionar o visitante, é aquela que se levanta na rotunda, que vai servir de entrada na vila a quem vem de Mértola e Santa Bárbara de Padrões, ali mesmo junto ao hotel «A Esteva», onde estive hospedado.
A minha recente deslocação a Castro Verde para participar no colóquio sobre «Medicina Bio-Energética» em torno da «Fonte de Milagres» de São Miguel, por força de ter escrito o livro «História de Uma Confraria», editado pela Câmara Municipal, deixou-me deveras surpreendido
Sob a mesma interrogação, o leitor encontrará neste site mais alguns artigos sobre este mesmo assunto. O facto deve-se a Jorge Cardoso que, no seu «Agiologio Lusitano», edição de 1666, registou a tradição oral existente em Castro Daire, em que se afirmava D. Dinis ter autorizado a construção da Igreja Matriz com a pedra do castelo da vila, em ruínas.
Através da imprensa soube do falecimento do Dr. Fernando Amaral, de Lamego, ex-presidente da Assembleia da República, ocorrido no dia 24 de Janeiro último. Ano 2009.
Ali, ali mesmo a dois passos da vila de Castro Daire, na Quinta de Linhares, moradia do escultor Manuel Coelho Pinto, na tarde chuvosa de 18 de Janeiro de 2009, respirei um pouco dos saudáveis e inesquecíveis ares alentejanos.
A preparação das eleições para os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia que se realizaram em Dezembro de 2008 decorreram com muita manha, muita animação, alguma discórdia e, ao que consta, no decorrer do processo eleitoral, a estratégia para se atingirem os fins em vista, nada teve a ver com actos misericordiosos e de tolerância.
Eis as últimas batalhas de um General que, depois de ter o peito cheio de medalhas pelos bons serviços prestados à Raínha e ao Reino acabou a sua carreira militar acusado de nepotismo e coisas mais.
Neste fim de Outubro de 2008, com a chuva a bater-me nas vidraças e o frio a enregelar-me os dedos a dificultar-me a tarefa da escrita, recebi pelo correio, em Castro Daire, vindo de Castro Verde,
Prestes a terminar a sessão da Assembleia Municipal de Castro Daire, de 26 de Setembro pp., apresentou-se no salão nobre o Dr. António Giroto, vereador do Pelouro da Cultura, para dar uma explicação aos membros dessa Assembleia.
Na capa do meu livro «Castro Daire, Os Nossos Bombeiros, a Nossa Música», publicado no ano 2005 (edição da Câmara Municipal de Castro Daire), figura que ilustra este texto, escrevi o seguinte:
No dia 27 de Agosto de 1916, depois do cadáver permanecer o tempo legal em câmara ardente, na sede da Associação dos Bombeiros Voluntários de Castro Daire, a carreta da bomba, encabeçando o grande cortejo fúnebre, seguiu em direcção ao cemitério. Nele se incorporavam centenas de pessoas de todas as classes sociais, destacando-se as entidades que representavam a Câmara Municipal, a Associação dos Bombeiros, as Filarmónicas de Castro Daire, de Reriz e de S. Pedro do Sul.
O senhor Agostinho Miguel, natural da povoação da Relva, freguesia de Monteiras, concelho de Castro Daire, no ano de 2007, andando a cavar o seu quintal, junto da sua residência, no sítio do «Oradouro», encontrou um achado curioso.
1 - Acerca das obras feitas no centro da vila, do alargamento de passeios e estreitamento das ruas, dos «ganchos» de cabelo ao longo dos passeios que, ao nível da estrada servem de valetas em tempo de chuvas, «ganchos», tombados ou caídos a cada passo, acerca do frequente trânsito caótico que ali se verifica, apesar da retirada dos carros pesados e, consequentemente, de turistas que, no Verão, animavam a vila e o comércio local, turistas que levavam para as suas terras Castro Daire, metido nas suas máquinas fotográficas ou de filmar, já tudo foi dito e comentado.
A influência da Ordem dos Hospitalários nas origens do mosteiro da Ermida parece ser evidente. Esta ordem «terá chegado a Portugal nos princípios do séculos XII em data que se desconhece pelo facto do seu arquivo, no Convento da Flor da Rosa, junto à vila do Crato, ter sido totalmente destruído pelos espanhóis em 1662. Armando de Castro diz que ela dispunha de «numerosos pequenos domínios dispersos pelo Centro e Norte de Portugal».
Sita na aldeia de Grijó, do Gafanhão, concelho de Castro Daire, pertenceu a um nobre «par do Reino», mas foi vendida ao senhor Joaquim de Almeida, vinte e poucos anos após a Revolução Liberal de 1820.
Não sei a que propósito, talvez de subconsciente acicatado pelo «programa novas oportunidades» que valoriza o saber adquirido ao longo da vida, à margem da escola e dos professores, dei por mim a pensar numa lição inserta no livro da minha 4ª classe. Tanto quanto a memória preservou, falava de «um aldeão que foi à vila fazer um exame. De cajado na mão, chegou coberto de pó e tornou-se motivo de escárnio dos alunos vilãos. Sentado a um canto da sala, ouvia as respostas dos restantes examinandos, dizendo para os seus botões: «sei tanto como eles». Chegada a sua vez de ser interrogado, respondeu a todas as perguntas, fez um brilharete e, face a isso, aqueles que dele escarneceram caíram em si e acabaram por levá-lo em triunfo pela vila».
Já que estamos na serra do Montemuro e se ao utilizador destes «trilhos-serranos» não lhe escapou a cor amarela das pútegas escondidas no sargaçal, por certo notou também a grande novidade deste ano de 2008 colocada ali, junto às Portas do Montemuro, na vertente do rio Paiva, concelho de Castro Daire.
Se é citadino, se, de quando em quando, ciranda por estes «trilhos-serranos», se ainda não se cansou do uivo solitário deste lobo ibérico em vias de extinção, suba cedinho ao topo da serra do Montemuro e verá levantar-se, lá para os lados da serra da Nave, o Sol num resplendor de cor, de energia e de vida.
Fui convidado a participar na recente sessão do lançamento da candidatura independente à gestão do Município de Castro Daire que gira em torno da pessoa de José Manuel Figueiredo Ramos, ex-gerente bancário
Como da Odisseia de Homero o gigante Polifemo deixou a ilha dos Ciclopes e, com um só olho no meio da testa, três braços a saírem-lhe da cabeça e uma só perna descomunal, subiu às serras de todo o mundo civilizado a fim de ajudar o homem actual a vencer a batalha das energias na sua odisseia civilizacional.
Ali, bem perto da linha divisória das freguesias de S. Joaninho e de Cujó, concelho de Castro Daire, no sítio denominado Chão do Irão (Chandirão, na terminologia local) está a choupana que ilustra este artigo.
No dia 12 de Novembro, aí pelas 20 horas, três pessoas amigas alertaram-me, via telefone, para o programa televisivo «A Alma e a Gente» do professor José Hermano Saraiva.
Depois das considerações que teci, na crónica anterior, ao programa «A Alma e a Gente» do Professor Hermano Saraiva, que foi para o ar na «2» no dia 12 de Novembro de 2006, fazendo uso do motor de busca «Google» eis que na entrada «rtp.pt» vejo aquilo que o Professor disse sobre Castro Daire. Isso obriga-me a voltar ao assunto e, ficando-me pela «Carvalha do Presépio», eis as palavras do Professor:
"Vinho, amor e Rosas"
"As rosas queridas dos epicuristas gregos
e os perfumes envolvem o meio circundante
com requintes de sensualismo domesticado.
Ramagens viridentes de umbrosas árvores
convidam a aprazível descanso, ouvindo o
murmurar dos arroios que correm por entre
tapetes de verdura. A natureza brindou os
mortais com as hospitaleiras sombras (...)
para regalo do homem e para adoçar a tristeza
da morte certa (...)"(1)